“Desabrochando num campo de sonhos azuis Formando cor e beleza com presença de luz Ânsia de um tempo lento Pressa de se mostrar inteira Beira as águas da loucura Pura, tornando-se ela e uma”
"Palhaço de Colorir" - trecho da peça Voo (São Paulo)
Escrito por Luciana Bollina
Qua, 08 de Abril de 2009 03:10
Cercada por espelhos de diversas feições Me assisto em mutante reviravolta Me espremo em cores intensas, canções E um palhaço amigo me abre a porta
Porta do meu destino criado em confusão Que sabendo ou não de sua existência Me ampara com seus sinais de vida Palhaço das pistas invisíveis e sorriso aberto Doa-me sempre em sua essência A verdade que construo a cada passo Sorri, faz laços e chora Quero o mais puro AGORA
Portas pregadas em faces espelhadas Curiosa abro com fervor as tantas pistas Ajuda-me e segura-me, mas sem proibir Troca meus espelhos de lugar Mas não me deixa esquecer seu rosto Permanece com suas cores em seu posto (Vai ajoelhando-se na almofada) Cria meu casulo de idéias e me deixa ar Assopra com purpurina meus pesadelos Conta-me sempre a verdade de meus elos E me ajude sempre a criar, sem inventar Espelhos das faces errantes Espelhos que me refletem Espelhos que me colorem Espelhos mutantes São eles que fazem o palhaço pintor Meu companheiro de idéias E no meu palco és o primeiro ator
Não me abandone nunca Pois sem a ingenuidade de te olhar colorido Perco a esperança de caminhar puramente De passear entre as temíveis verdades dos espelhos E de sorrir quando, um dia, o reflexo sumir.