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Escrito por Luciana Bollina
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Ter, 09 de Agosto de 2011 03:05 |
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Suspensa... Presa no ar rarefeito do tempo que foi e que também vai ser. Aquilo que posso ser me comove e engrandece a tal ponto que até acho que já sou o que serei. E o destino sorri e tem forma de doce. Não sei se chegarei lá. Eu quero esse brigadeiro! Estará longe o dia em que serei mãe?
Porque quando minha mãe falou: "beirando os 30, filha" Me assustei e fiquei pensando que já faz nove anos que terminei a escola. Estou beirando os trinta. Mas 26 ainda não está beirando os 30, ou está? Sou um descompasso compassando artes e encontros e fazeres e desfazeres de amor, arte, vida, cálculos, contratos, dança, entretenimento. Falar... é assim um quase cantar. Todas as palavras da minha vida tiveram valores diferentes de agora. Sinto que a dor amadureceu alguma coisa séria e vital aqui dentro. E beirar os 30 é só uma coincidência... ou não.
Nas beiradas do meu coração há uma plantação de violetas. Mas no meio dele há uma expectativa gelada e densa. Me apaixono tão fácil. Sou toda ele. Sou todo o mundo desse ele. Todo o abrigo e sonho do escolhido ele. Eu sou nós. Mas difícil é desintegrar os dois. Não há corajosos capazes de amar com riqueza de detalhes. Essa frustração que me fez ficar com dor no maxilar esquerdo por dias, me amadureceu. Pra não falar que envelheci. Senti pela primeira vez que não era mais criança. E doeu. Acredito muito no amor. Por isso me frustro tanto. Ser velha está sendo melhor que pensei. E velha é a mãe! Me disseram que escrevo utopicamente. Que escrevo puritanamente. Que escrevo com medo. Outro dia pensei que sim. Concordei com aquilo que odiava que dissessem de mim. Na verdade acho é que estou beirando eu mesma. Estou quase chegando até mim e me encarando nos olhos. Parece que o tempo que vivo é mais agora do que nunca porque envolve o passado e o futuro. O passado me parece cobrar e também me confortar. O futuro é estonteante! Lindo e envolvente. Longe daqui. Mas sorri pra mim e acredita no tempo. Eu mesma acredito no tempo, hoje. Não estar em casa e estar é a melhor sensação do Mundo. Só o tempo me trouxe isso.
Sou tão antes quanto depois. Sou o suspiro e a baforada daquele que nunca viveu e que agora, apenas agora, sentiu o ar passar pela garganta.
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