Qua, 08 de Fevereiro de 2012
Lendo, desenhando e escrevendo
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Escrito por Luciana Bollina   
Sex, 14 de Maio de 2010 20:46

Faz algum tempo que não atualizo o blog. A questão para quem tem um espaço para se manifestar é sempre esta. Atualizar sempre ou só quando é conveniente? Na verdade verdadeira eu nem sei se tenho leitores. Sei que alguns amigos passam por aqui para deixar comentários em um ou outro artigo e o indicador de visitantes, ora ou outra aparece com um número 3, 4, 1. Então acho que sempre tem alguém xeretando por aqui, mas leitores meeesmo, daqueles que olham todo dia, nem eu mesma! Eu sempre escrevo para um público e para gerar sementinhas de pensamento naqueles que me lêem, mas também escrevo para mim, meu desenvolvimento, estimulando o pensamento. Realmente não sei se tem alguém que vem sempre por aqui. Aliás, o anonimato da internet é válido para um escritor, nunca sabendo quem o lê, mas podendo sempre atualizar ou deletar aquilo que é "publicado". Um professor meu me disse que os autores de blogs estão querendo publicar livros de verdade, como eles mesmo dizem, pois o blog é um espaço fictício de manifestação que qualquer pessoa pode fazer, não dando o reconhecimento necessário para aquele que quer ser um escritor, propriamente dito. O reconhecimento ainda é o objetivo de muitos e muitos escritores e artistas. Não estou dizendo que não quero ser reconhecida por minha escrita, mas tenho muito chão pela frente para que eu mesma me reconheça e sei que estou certa disso. Faço parte de uma geração, onde a televisão já imperava na minha infância. Sobrando pouco tempo para a leitura. Comecei a ler de verdade, sem que me obrigassem, tem uns seis anos. Como posso ser escritora com apenas seis anos de leitura de verdade? Digo leitura de verdade porque trata-se de uma busca pelo que eu quero saber, já que a nossa sabedoria, inteligência e memória são limitadas, não dá para saber tudo. Mas a leitura que selecionamos dentre todas do Mundo é uma leitura em busca da nossa verdade de pensamento. Mas posso ser autora e mentora de idéias próprias com tão pouco conhecimento? Espero que eu não tenha que esperar muito. Quanto mais se vive, mais livros antigos e novos existem e mais informação é gerada na Terra. Ficaria louca se tivesse que aprender tudo que me interessa. Leria dois livros por dia e, mesmo assim, não daria conta. Ficaria uma obesa mórbida inteligente. Acho que não gostaria disso. A questão é que eu quero aprender as coisas. Então, no meu tempo, eu comecei a ler filosofia, espiritualidade, misticismo e junto com isso também as histórias de amor de Clarice Lispector e poemas de Fernando Pessoa e romances de Hermann Hesse e livros de mitologia e tudo e tals. Os temas de um puxavam os temas de outros, como tudo na nossa vida. Mas no final das contas eu sempre quis saber de algo muito particular, algo que mudasse minha forma de ver as coisas, como Clarice faz muito bem em seus livros. Não se deve ler para ter do que falar em rodinhas de intelectuais, ou para não pensar o seu próprio pensamento. Achei graça nesta observação de Schopenhauer que inclusive, li ontem: “A mais rica biblioteca, quando desorganizada, não é tão proveitosa quanto uma bastante modesta, mas bem ordenada. Da mesma maneira, uma grande quantidade de conhecimentos, quando não foi elaborada por um pensamento próprio, tem muito menos valor do que uma quantidade bem mais limitada, que, no entanto, foi devidamente assimilada.” Ando numa necessidade de estudo que está me consumindo, mas realmente, se não assimilamos nossas leituras para nosso próprio uso intelectual, moral ou espiritual, qual a verdadeira razão para se ter sabedoria? Para o reconhecimento, o aplauso dos eruditos? É nesse ponto que eu não concordo com o objetivo de ler para ser reconhecido. Ser o estudioso, o intelectual, ser aquele que nem sabe o que pensa de tanto que decora o que os outros pensam. O limite está na importância que se dá ao seu próprio pensamento, pois também um ser pensante precisa de estímulos e estes estão nos livros! Agora cabe a nós sabermos administrar nossa condição de filósofos para não correr o risco de sermos alienados ou prepotentes. (continua só mais um pouquinho no Leia Mais)

Outro dia me lembrei que gostava de desenhar rostos de fotografias. Eu os copiava a lápis e guardava-os numa pasta com plástico, tipo as de papel de carta, desde uns 12 anos de idade. Fui tentar desenhar um rosto, esses dias, para ver se ainda sabia como copiar. Arrisquei bem o rosto da Clarice Lispector que estava num livro grande de fotos que tenho dela. Sempre a achei bonita e com traços interessantes de se desenhar. Não é que eu consegui copiá-la em minutos! Foi emocionante vê-la no meu papel sem pretensões. É tão bom desenhar sem querer nada, apenas exercitar a capacidade de observar. Sem técnica, sem conceitos, apenas o meu traço e o meu amor.

clarice_baixa

By Luciana Bollina (ao acaso)

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