| Liquidificador |
| Escrito por Luciana Bollina | |||
| Seg, 29 de Março de 2010 17:45 | |||
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Houve um tempo, me disseram, em que havia uma fé acertada e que podia ser explicada. Alguma dúvida aparecia e a resposta era facilmente encontrada e o questionamento não era permitido, trazia desafeto e desconfiança da sociedade religiosa dominante. Neste momento de igrejas novas e de intelectuais ateus, somos obrigados a questionar tudo e todos, desconfiar dos que dizem algo de relevante ou que não dizem nada. E desconfiando, não tomamos partido, não temos nada para apoiar o peso de ser humano, ficando perdidos entre terapeutas, anti-depressivos e yogas. Isto sem falar nas drogas. Estou me referindo às novas gerações que têm possibilidades de encontrar a cura do vício por drogas na internet. (continua no Leia Mais)
Foi assim e por isso que Maria chegou a tomar o chá do Santo Daime e João entrou para a igreja destinada a jovens surfistas transformando o altar em prancha de surf para aproximar as mentes jovens. É uma busca desenfreada pela espiritualização e vejo nos jovens uma urgência de entender tudo por não aceitar mais o “porque sim”. A humanidade já é outra e os mais velhos (generalizando) tentam preservar um tempo que já não existe, confundindo ainda mais a cabeça de seus filhos. Não tomo partido sobre o certo ou o errado, até porque não sei da justiça mais do que sei sobre minha condição humana. Mas no meio de tiroteios do subúrbio carioca tem algum adolescente perdido, sem saber como não ter medo de voltar para casa. Querendo se encontrar e estudar. Acabando sua história promissora de vida se rendendo a maioria. Envolvendo-se com o tráfico de drogas, vendendo seu destino ao materialismo e alienação para não sofrer mais do mal do medo. O principal mal que nos envolve nos nossos dias atuais. Depois de um homem assassinado começa-se a pensar sobre os efeitos do chá Ayuasca(ou daime) e o que pode desencadear numa pessoa com esquizofrenia. Ela pode seguir a viagem do chá e nunca mais voltar. E isso não é informado no site da religião ou seita. Os jovens e a espiritualidade, a ciência e Deus, a filosofia e a fé, a internet e o livre-arbítrio. Na verdade não existe mais um caminho para ser apontado, existe uma cadeia de informações e a necessidade individual. Questiona-se muito e acredita-se pouco. Os milagres ainda acontecem todos os dias e fazem pessoas perceberem os porquês, mas a violência transformou a paz e o presente não é mais presente. Não conseguimos absorver a vida a cada dia por ter medo de não conseguir. De não ser o que planejamos para nós mesmos. Montamos a maquete dos sonhos e objetivamos o dia -a- dia metodicamente para cumprir as metas. A alma grita por socorro enquanto a mente se distrai com telas iluminadas e vãs. Os big brothers transformam-se em heróis nacionais temporários e nos tiram o foco da nossa própria vida e responsabilidade. As mídias estimulam tudo isso porque vivemos no capitalismo e a ganância é a protagonista de nossos tempos, sem dúvida. Não digo que não possa haver distração, ela é necessária, mas é só trabalho e distração? Dinheiro e alienação? Se hoje tentássemos rever o que Jesus ou Buda ou Gandhi ou Chico Xavier ou Platão ou Sócrates ou Einstein disseram e fizeram pelo mundo, ao invés de enaltecer a distração e o entretenimento como nossas drogas para esquecer a realidade, a humanidade faria progressos apenas por tentar pensar um pouco.
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