Qua, 08 de Fevereiro de 2012
Influência Florida ou Confissões da Consequência
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Escrito por Luciana Bollina   
Qua, 03 de Março de 2010 16:03

É um amor por uma escritora que nunca conheci pessoalmente. Suas palavras são minhas. Seus pensamentos escritos me estimulam a entender. “O bom era ter uma inteligência e não entender”. Mal direciono meus estudos para outro livro e ela aparece rainha em meus pensamentos. Sua vida e sua obra são gêmeos intrigantes. “Era uma bênção estranha como a de ter loucura sem ser doída.” Como viveu e em que condições escreveu esse ou aquele livro. Dissertação sobre o sonho. Análise do pensamento. “Era um desinteresse manso em relação às coisas ditas do intelecto, uma doçura de estupidez”. Uma mulher inesquecível em sua beleza enigmática, mas eterna em sua escrita. Comecei a escrever com ela. É sempre uma amiga que olha meus escritos tentando me ajudar a criar e expressar o infinito. A criação se transforma em Deus e o amor pequeno é total. Posso considerá-la minha parceira. Minha madrinha. Não sei. Considerações são vagas e infantis quando se trata de inspiração. Ela existe em mim. Dentre milhares de criaturas clarices, existe a Clarice. A Lispector. Que está no peito. Respirando o coração e desabrochando em flor-de-lis. Uma criatura que viveu aqui e deixou seu pensamento ideal para que a chama não morresse. “No entanto às vezes adivinhava. Eram manchas cósmicas que substituíam entender”. Na sua busca ela não dispensa a idéia de Deus, ou do não Deus. A angústia dos que não tem fé se transforma em nada. O nada é representado pelas entranhas humanas e mamíferas.  Só posso dizer que não se pode lutar contra uma natureza selvagem, ou tentar entender uma paixão de outra pessoa. Somos inteiramente humanos e deuses. Escrevendo nosso amor e glória junto dos buracos sem fundo da existência. Eu sou ela em algum outro momento. Não. Nunca. Sou a transformação latente de suas palavras. Sou a humanidade absorvida em seu drama. Sou a luz do seu amor, quando vive além do papel. Como se algo com verdade, assim que escrito, pudesse sair andando. Sou seu coração multiplicado em árvores frutíferas. A flor pode falar só por estar. É a mágica da influência.

“O bom era ter uma inteligência e não entender. Era uma bênção estranha como a de ter loucura sem ser doída. Era um desinteresse manso em relação às coisas ditas do intelecto, uma doçura de estupidez. (...) No entanto às vezes adivinhava. Eram manchas cósmicas que substituíam entender.” – Clarice Lispector em seu livro “ Uma Aprendizagem ou O livro dos Prazeres”

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