| O Artista do Teatro |
| Escrito por Luciana Bollina | |||
| Sex, 21 de Agosto de 2009 02:25 | |||
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Por mais que as cruentas inglórias batalhas do cotidiano tornem um homem duro ou cínico, o suficiente para permanecer indiferente às desgraças ou alegrias coletivas, sempre haverá no seu coração, por mais minúsculo que seja, um recanto suave onde ele guarda ecos dos sons de algum momento de amor que viveu na sua vida. Bendito seja quem souber se dirigir a esse homem que se deixou endurecer, de forma a atingi-lo no pequeno núcleo macio da sua sensibilidade e por aí despertá-lo, tirá-lo da apatia, essa grotesca autodestruição a que por desencanto ou medo se sujeita, e inquietá-lo e comovê-lo para as lutas comuns da libertação. Os atores têm esse dom. Eles têm o talento de atingir as pessoas nos pontos onde não existem defesas. Os atores, eles, e não os diretores e autores, têm esse dom. Por isso, o artista do teatro é o ator. O público vai ao teatro por causa dos atores. O autor de teatro é bom, na medida em que escreve peças que dão margem a grandes interpretações dos atores. Porém, o ator tem que se conscientizar de que é um Cristo da humanidade e que seu talento é muito mais uma condenação do que uma dádiva. O ator tem que saber que ele, para ser um ator de verdade, vai ter que fazer mil e uma renúncias, mil e um sacrifícios. É preciso que o ator tenha muita coragem, muita humildade, e, sobretudo um transbordamento de amor fraterno, para abdicar da própria personalidade em favor da personalidade dos seus personagens, com a única finalidade de fazer a sociedade entender que o ser humano não tem instintos e sensibilidade padronizados, como os hipócritas com seus códigos de ética pretendem. Eu amo os atores e os entendo nas suas alucinantes variações de humor, nas suas crises de euforia ou de depressão. Amo o ator no desespero de sua insegurança, quando ele, como viajante solitário, sem as bússolas da fé ou da ideologia, é obrigado a vagar pelos labirintos da sua mente, procurando no seu mais secreto íntimo afinidades com as distorções de caráter que seus personagens têm. E amo muito mais o ator, quando, depois de tantos martírios, surge no palco, com segurança, emprestando seu corpo, sua voz, sua alma, sua sensibilidade para expor sem nenhuma reserva toda a fragilidade do ser humano reprimido, violentado. Eu amo o ator que se empresta inteiro para expor para uma platéia os aleijões da alma humana, com a única finalidade de que seu público se compreenda, se fortaleça e caminhe no rumo de um mundo melhor, que tem que ser construído pela harmonia e pelo amor. Eu amo os atores que sabem que a única recompensa que podem ter não é o dinheiro, não são os aplausos: é a esperança de poder rir todos os risos e chorar todos os prantos. Eu amo os atores que sabem que no palco, cada palavra e cada gesto são efêmeros e que nada registra nem documenta sua grandeza. Amo os atores e por eles amo o teatro e sei que é por eles que o teatro é eterno e jamais será superado por qualquer arte que tenha que se valer de técnica mecânica. Plínio Marcos Texto publicado no livro da peça "Jesus Homem" de Plínio Marcos em 1981. Acho que esse texto tenta explicar um pouco do que é ser ator. É um presente para aqueles que exercem esse ofício. É um conforto e um incentivo. Eu sinto assim. Comentarios (1)
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Gostaria de pedir sua ajuda,pois não consigo achar um bom artista do teatro(ator).
Como vc escreve bem,gostaria de pedir sua ajuda!
PARABÉNS PELO BLOG!